Category: Poesia

Suave melodia

Ei, Gustavo, pega sua guitarra

Dedilha um acorde aí pra gente ouvir

Acompanha o canto da solitária cigarra

Que canta sua morte em alguma árvore por ali.

Ei, Gustavo, pega aquela nota ré

Sole como nunca ousou fazer antes

Sinta nas cordas a fé

De um jovem músico de alma distante

Ei, jovem Gustavo,  que doce som é esse aí?

Seria Dylan ou Harrison percorrendo o aço?

Não importa, toca mais um pouco pra gente ouvir

Enquanto meus dedos acompanham este compasso.

Ei, jovem Gustavo, começa agora com um sol sustenido

Toca uma balada com um som abafado e imundo

Deixe a vibração das cordas percorrer nossos ouvidos

Enquanto tenta achar minha garota perdida pelo mundo.

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Sono, muy sono;

RERERERE nem durmi nada!

 

 

Quando sobe aos céus a lua

Os cães uivam no quintal

A luz é muito fraca ali na rua

E as cotias correm pelo matagal

Até as orelhas eu puxo minhas cobertas

E, de bruço, enterro a cara no travesseiro

Apago a luz e deixo a porta aberta

E fecho os olhos para um sono passageiro

A chuva torrencial no quintal se aperta

E a Biju e a Lucy se escondem no quartinho

Caralho, esqueci a porta da geladeira aberta

Vou ter que sair daqui só porque eu tava quentinho

De novo cubro as minhas orelhas

E viro minha cara para a parede

Escuto devagar os pingos caindo sobre as telhas

Filha de uma puta, me deu uma baita de uma sede

Vou de novo à cozinha e bebo tudo

Bebo tudo num gole só

Voltarei pro meu travesseiro felpudo

Porque eu tô só o pó

Deito de novo na minha cama

E sinto meu olho começando a fechar

Eis que me ocorre outro drama

Bebi tanta água que deu vontade de mijar

Sigo de novo na escuridão

E ao banheiro eu me desloco

Dou a descarga e lavo minha mão

Volto pra cozinha pra beber outro copo

Deito na cama e começo a roncar, uma espécie de zumbido

Nem acredito, finalmente vou apagar

Mas do meu ronco eu nem termino o dó sustenido

Já vem a porra do despertador me atrapalhar.