YOLO

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Acordei tarde naquele domingo com a luz do sol entrando por uma fresta da minha janela e o tic tac do relógio no criado mudo ao meu lado direito. Eram mais de onze horas da manhã, o que queria também dizer que eu tinha dormido por mais de doze horas ininterruptas.

Merda, eu odiava dormir. Por mais que eu acordasse cansado e desejando ficar mais tempo na cama, achava um desperdício enorme dedicar 12 horas da minha vida a um colchão e a um travesseiro.

Levantei calmamente e fui até o banheiro escovar meus dentes e dar uma mijava; depois disso, comecei a pensar, voltaria para o quarto, arrumaria a cama e trocaria de roupa. O tempo estimado para cumprir todas essas pequenas tarefas obrigatórias da manhã era de 10 minutos e eu já podia dizer que o domingo mal começara e eu já tinha perdido 12 horas e 10 minutos em atividades estúpidas ou 12 horas e 11 minutos, contando o minuto que eu perdi pensando em tudo isso. Terminei todas essas tarefas e fui para a cozinha para preparar o café, que levaria um tempo estimado de cinco ou sete minutos para ficar pronto, totalizando 12 horas e 18 minutos da minha vida, que eu poderia estar pulando de pára-quedas, fazendo uma viagem até o litoral norte, mas que eu estava gastando no domingo cedo.

Sentei-me à mesa com a xícara em mãos e comecei a gastar mais alguns minutos em pensamentos inúteis. Acredito que foi cerca de 15 minutos extasiado em meus próprios devaneios e epifanias, totalizando 12 horas e 23 minutos da minha vida. Eu sei que parece paranoico ficar contando o tempo dessa forma e que também soa como tortura pensar em outras coisas mais intensas que poderíamos fazer nesse tempo. Sei que soa também um pouco louco falar sobre tudo isso e continuar sentado com a xícara de café, sem fazer nada para que aquela manhã fosse diferente. Mas a verdade é essa, o tempo é como uma companheira insatisfeita e apressada, que vive tentando fazer você acompanhar o ritmo. Só que ela não para, ela não descansa. E você, cada vez que para e tenta recuperar o fôlego, acaba ficando mais para trás.

Eu nunca somei quantas horas nós temos de estimativa de vida, também nunca quis perder meu tempo fazendo essas contas. Eu já o perdia demais trabalhando por 40 horas semanais, dormindo por 56 horas semanais e assistindo televisão nos horários restantes.

Terminei o meu café e resolvi escrever um textinho sobre todo esse tempo no caderno, levando praticamente uns 20 minutos, depois mais uns 10 para passar a limpo no computador. Nesse meio tempo, gastei 3 minutos ouvindo Baby Blue, do Badfinger e depois mais 3 ouvindo de novo, perdendo a chance de ouvir uma música diferente.

Não importava qual decisão eu tomava naquele momento, eu sabia que ele ia me custar um tempo que eu não ia recuperar. Então, para não perder tempo pensando, eu preferia fazer por conta própria e sem pensar muito.

Terminei o texto de qualquer jeito, pouco me importando se ele estava legal ou não. O sol que me acordou brilhava bonito e eu pretendia gastar alguns minutos do domingo andando com meus cães. Afinal, mesmo que você só viva uma vez, é legal se sentir vivendo a cada minuto.

 

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