Patrick Sabrino, le vingador

 

A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena

Madruga, Seu.

Essa aqui é a história de Patrick Sabrino, o vingador egoísta. A história de Patrick Sabrino não é muito conhecida na cidade em que eu nasci, tampouco na que eu moro, muito menos nas trezentas mil que eu tenho o sonho de morar um dia. A história de Patrick Sabrino, o vingador egoísta não é conhecida em porra de lugar nenhum, nem mesmo na casa da vizinha.

Mas quem me revelou detalhes dessa provável situação real foi minha vó, bem quando eu tinha meus sete ou oito anos e ficava sentado com ela na varanda, enquanto ela tricotava aqueles suéteres bregas que jamais um ser humano usaria – nem mesmo ela. A história era assim:

Diz que Patrick Sabrino sempre foi um cidadão direito, pomposo e disposto a ajudar o outro; mas como moramos no Brasil e conhecemos o Zé-Povinho adpeto da Lei de Gérson, Patrick Sabrino nunca se adaptou ao cenário urbano das capitais e olha que nem era por conta do nome. Patrick Sabrino, direito do jeito que era, sempre acabava passado para trás por algum propedeuta dos maus costumes. E assim caminhava Patrick Sabrino no ciclo social: a cada dois passos que dava para frente, as pessoas o faziam dar uns 12 para trás, coitado.

Um dia, cansado de todos esses sórdidos acontecimentos em sua nobre e correta conduta, Patrick Sabrino resolveu vingar-se de tudo e todos, em proporções devidamente exageradas contra o que era submetido todos os dias.

Se Patrick Sabrino namorasse e fosse traído, à noite costurava as regiões – indevidas para o horário- da moça que fizesse isso com ele. Correto, generoso e… cruel; assim Patrick Sabrino se tornou quando resolveu pôr a máscara do justiceiro particular e promover seu ego à principal razão dos movimentos de rotação e translação da Terra. Patrick Sabrino mudara.

A intolerância aumentou tão gradativamente que a primeira pessoa que Patrick Sabrino resolveu se vingar foi um colega de escritório. Era simples o causo: Patrick Sabrino ralava que nem um jumento carregando carroças de cenoura nas fazendas e seu amigo que fora promovido dando a si mesmo os devidos créditos por uma operação milionária. Patrick Sabrino simplesmente grampeou as mãos de seu colega a cheques sem fundo, além de escrever com marcador de CDs as palavras “bom” e “trabalho” na testa do meliante.

Patrick Sabrino queria revanche, queria devolver cada troco em suas devidas moedas. Aquele amigo que roubou a namorada de Patrick Sabrino teve o que mereceu. Enquanto dormiam, Patrick Sabrino invadiu a casa e colou suas partes íntimas com Super Bonder. A risada maléfica tomou conta da personalidade de nosso (anti)herói; ele não sabia mais a diferença entre uma pequena brecha (como diríamos nós, paulistanos) e uma grande punhalada nas costas. O ódio cresceu e se espalhou por suas veias.

E assim Patrick Sabrino seguiu seus dias: desforrando uma a uma as insatisfações de sua vida, as dores provocadas pelos outros.

Eis que um dia, Patrick Sabrino se surpreendeu e se apaixonou. Era Malva Maria, que apesar do nome, também tinha boa índole, como Patrick, o Sabrino.

Sua vida voltou ao normal, pelo menos era como achava. Descobrira uma pessoa que sabia não ser capaz de traí-lo nunca, de prejudicá-lo jamais e casou-se.

No dia de seu casamento, Patrick não compareceu por questões pessoais e sombrias e deixou Malva Maria sozinha no altar da Igreja. Quando caiu em si, Patrick Sabrino percebeu-se, pela primeira vez prejudicando alguém.

Triste, deprimido e acabado, como grande culpado e sem um motivo de vingança, sentiu-se desnorteado e acabou por sofrer do coração.

Patrick Sabrino morreu; pelo menos foi o que disse minha vó.

Se eu acredito nessa história, você me pergunta? Bom, nem um pouco.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s