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Não é de hoje que o Demônio vaga pela Terra disfarçado de consciência.

Tentou Jesus no deserto, apareceu para Ivan numa alucinação perante o julgamento de Dmitri, foi dono de um grande e famosos escritório de advocacia nos Estados Unidos e até atormentou a vida de três pessoas de péssimas condutas dentro de um elevador.

Mas sua capacidade maior é a de se disfarçar de consciência e quem descobriu isso da pior forma foi Jean.

Jean não era uma pessoa de péssimos hábitos, não conseguia ferir seu próximo nem se tivesse os mais primitivos dos motivos, a mais amedrontadora essência de vingança ou sentimentos do tipo.

Guardava mágoas e rancores, mas correspondia a todos eles com a indiferença, essa que talvez fosse a principal razão do porque machucaria alguém.

Mas, sempre há aquela sensação de anti-herói que torna as mentes mais frágeis, facilmente corruptíveis pela menor sensação de mea culpa.

Ah, a mea cupla, responsável pela queda das pilastras psicológicas que sustenta todas as faculdades mentais de um indivíduo, único ser animado ou inanimado, que desaba pela ruína de um único cômodo.

De qualquer forma, Jean sentia-se assim, num mar escuro cercado por todas as formas possíveis de marchas fúnebres assoprando em seus ouvidos o quanto era mal, o quanto era lascivo.

Era o som de mais de 600 vozes em ambos os ouvidos, 600 vozes que eram apenas uma, a do Demônio camuflada de consciência.

E batia na cabeça, e atormentava, e sacudia os neurônios num tornado de confusão. Não havia distinção entre o certo e o errado e tudo se tornava uma única coisa, a vontade de sumir.

As ilusões apareciam e confundiam-se entre a realidade, fazendo com que qualquer forma de fuga, de caminho livre para o real fosse lacrado.

Um buraco negro havia sido aberto e não existiam maneiras de escapar, não enquanto a armadilha ainda apertava todas as células de seu sistema nervoso, acelerando todas as sinapses com um fluxo contínuo e louco.

A sensação era incomum, era a tortura de um inocente, ou talvez não, talvez fosse culpado mesmo. Nem médicos, nem psicólogos, nem ninguém sabia como drenar aquela confusão, aquele transe que tomava conta da cabeça do pobre Jean.

Mas, há uma tese do porque pessoas como ele se sentem assombradas, se sentem pressionadas a esse sentimento de vazio, medo e solidão. É só um recrutamento para que desabroche o mal em todo homem, principalmente os fracos.

Pessoas ruins não sentem remorso nem culpa porque já foram alistadas no pelotão de frente para uma guerra santa, ou alguma outra trama. Não se sabe ao certo definir este fato, talvez nunca saberemos se existem limites para o funcionamento da mente humana, desligada talvez de sua alma pelas emoções divergentes.

Mas o fato é que pensamentos assim são como nas propagandas militares do início do século passado. Elas apontam seu nariz e pedem sua colaboração.

Cabe a você vestir a farda e saber que vai morrer numa guerra sem causa.

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