Ali no meio; no meio do nada.

Algumas pessoas tem a mania de chorar a solidão por ter passado um sábado em casa por não ter podido dar uma volta, principalmente com os amigos.

É aí que começam as blasfêmias mais indignas de merecer atenção, aquelas que não vale a pena a perda de um milésimo de tempo da sua vida – que você poderia gastar piscando, por exemplo. Algumas pessoas reclamam do vazio por terem sido abandonadas pelo caiçara que pegaram no carnaval passado, mas vale pros turistas também que trocavam carícias pelas inúmeras formas de comunicação que o mundo hoje dá em nosso poder.

Tem também aquelas que sempre reclamam das mudanças, de que deveriam tomar uma atitude, que são alvos de fofocas e mau olhado, que possuem inúmeros inimigos, que lastimam a cada segundo uma paranóia infernal de serem populares com síndrome de perseguição de ódio por parte alheia.

Pois bem, ninguém conhece a história de P., um garoto aleatório ai que sentiu em sua pele a solidão, o vazio e a verdadeira arte de se fazer inimigos.

Era misterioso esse tal de P.; não haviam vestígios de suas amizades, se essas existiram por algum tempo. Nunca houve também alguma sombra do que seu coração chegou a ser, muito menos se havia um ali naquela região do lado esquerdo do peito, onde apertava com frequência, sentindo a dor de não ter nada ali, nem um mero fragmento.

P. era insensível. Aliás, não era não, tornou-se. A dor que ele sentiu, e o ódio que tinha ao ver reclamações vazias, mais uma vez apertava naquele vazio onde estivera um músculo em algum pedaço de sua breve história. Planos ele não tinha mais. Não tinha como executá-los, nem em quem se apoiar se caísse de um.

O medo não era de tentar, o medo era falhar, como falhara muitas vezes antes.

E mais uma vez surgiam as falsas palavras de solidão, vazio e abandono que enchiam seus olhos de lágrimas. Num surto qualquer, P. derramou um gota (talvez tivesse emoções, sim), socou a mesa com toda sua força e berrou em frente ao computador, seu único amigo.

Sabia que nem mais o álcool, aquele vazios copos de whisky, as vazias taças de vinho e as quebradas garrafas de cerveja consolavam. Talvez apenas se parecessem com ele: vazias e espedaçadas. Era a vida.

“VOCÊS NÃO SABEM O QUE ESSA MERDA TODA SIGNIFICA” e, num acesso de fúria, jogou tudo pro ar, inclusive a vontade de querer ser alguém de novo.

 

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