The long and rainy road;

Já eram sete horas da manhã e o Sol decidiu não gritar na minha janela como tinha feito nos dias anteriores, mas eu fiz minha parte levantando bem cedo e preparado uma mochila com suprimentos necessários para aquela viagem.

Tudo indicava chuva, um ventinho chato batendo na nuca e eu já vestia minha blusa com um furo bem no pulso e um capuz que nem me servia mais.

A garrafa d’água estava na bolsa térmica, os sanduíches idem. Os cachorros já tinham se acomodado no banco de trás e o carro já estava esquentando o motor.

Ah, sete da manhã e lá estava eu, pegando a estrada, saindo um pouco daquela armadilha rotineira que consumia meu tempo. Os olhos estavam travados, semi-cerrados, e era difícil de se concentrar no caminho que eu aguardava ansioso por dias para poder encarar novamente.

Coloquei o fone no ouvido – alternando entre a melancolia de Hüsker Dü, os yeah yeah yeah dos Beatles e dos furiosos bicordes do Pennywise – abri a janela, apoiei o cotovelo e acompanhei as árvores se movendo do meu lado direito com majestia, em um desenho único que nenhum homem jamais conseguiria imitar.

Tinha um roteiro de cidades a atravessar e fui riscando uma por uma da folha que tinha deixado pronta uns dois dias antes. Sim, eu tinha feito tudo isso, num brilho mágico de meus olhos sonolentos.

“Eu viveria cruzando esse caminho, dias e mais dias. Abriria mão de tudo pra poder usufruir ele por mais algumas vezes”. O pensamento dominava minha mente e eu esboçava, inconscientemente, um sorriso bobo enquanto tombava minha cabeça no encosto do banco e continuava admirando árvores passando ainda naquele desenho majestoso.

Uma hora depois as árvores foram substituidas por prédios, mas o desenho ainda era mágico. De um lado prédios, prédios e prédios, ao centro um rio, no lado que eu estava a pista e do outro mais prédios, a famosa selva de pedras.

Que fantástica, que gigante. Lá estava São Paulo, pronta para engolir qualquer alma caipira que ousasse enfiar seus pés na Barra, no Itaim ou na Saúde.

Acenei para essa gigante majestosa e segui meu caminho de volta para meu sonho acordado. Continuava meus devaneios, filosfava sobre a vida e o valor que as origens tinham.

Tomei um gole da Coca-Cola que tinha colocado na mochila, esfreguei um pouco meus olhos e vi, através do vidro embaçado e do céu cinza e chuvoso as palavras que finalmente me fizeram sorrir e derrubar umas lágrimas.

“Santo André

Retorno ->”

É, eu estava de volta às minhas raízes, nem que fosse por apenas algumas horas. Poucas e valiosas horas.

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