Ah, meus 20 anos;

Eu não abro mão
Nem por você, nem por ninguém,
Eu me desfaço dos meus planos
Quero saber bem mais
Que os meus vinte e poucos anos

Fábio Júnior, mas eu prefiro a versão dos Raimundos

Aniversário é uma palavra engraçada.

Quando se é criança, a ansiedade de esperar por esta data é imensa. Ficamos cegos, eufóricos e um pouco irracionais para ganhar os presentes.

Também quando temos de oito para nove anos, e nossas mães dizem pra vizinha a idade que estamos deixando pra trás, ficamos bravos.

Mas, poxa, como as coisas mudaram em um punhado de anos. Hoje eu não espero mais com tanta expectativa igual antes e, às vezes, até me bate um certo desespero de olhar fios brancos crescendo na cabeça. Não espero ansiosamente por brinquedos, tampouco pelas meias da minha vó. Mas aguardo ansiosamente um pouco mais de amadurecimento e de cabeça no lugar, únicos presentes que terei daqui para a frente.

O caso é que eu olho pra trás e paro pra pensar o que fiz de legal na minha vida, ou cronologia premeditada, já que também faço parte daquele ideal comum de estudar, ter um bom emprego e ser alguém na vida. E não foram muitas coisas, pelo menos ao meu ver. Sempre bate aquele sentimento de que poderíamos ter feito mais, ou que deveríamos ter feito menos.

Já me apaixonei, já fiz besteiras, já briguei, já bati e já apanhei. Já desenhei, escrevi, chorei, xinguei, fiz birra, brinquei, ri. Mas pareceu nunca o suficiente.

Fiz amigos em determinadas etapas da minha vida e moldei minha personalidade de acordo com as lições que recebia, acho que como qualquer outro.

Já li e já larguei livros fechados. Já ri de um idiota e já fui o idiota motivo da risada alheia. Já me arrependi e hoje não me arrependo mais.

A verdade é que tenho que encarar de fato que os presentes não são mais os mesmos, apenas isso. Sempre iremos comemorar os aniversários e, no nosso mais profundo interior, sabemos que esta comemoração é por estar mais um ano vivo, aproveitando a única coisa que não é dedutível do imposto de renda.

Mas, o que eu farei agora? Abrirei uma cerveja e pensarei nos 19 anos passados e nesse novo que eu entro daqui alguns minutos, ou fechar meus olhos, dormir e aproveitar meu primeiro minuto do meu 20º ano de existência?

São muitas escolhas que fazemos em pouco tempo e que deveríamos fazer por impulso, algumas fazemos por impulso quando temos tempo pra pensar.

A verdade é que, ó Deus, eu sinto-me feliz por mais esse ano, por mais este pela frente, mas que a mais profunda verdade é que amanhã, 16 de agosto, eu saio dos meus 19 e faço 45.

Creio que envelheci demais de uns anos pra cá, mas o que eu poderia dizer a respeito de idade e sobre a vida num todo?

NADA!

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